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CAMPO ERÊ NA ROTA DOS INCAS.

Publicado em 27/12/2013 às 15:30 - Atualizado em 25/06/2016 às 19:45

Pesquisa: Nelson Tresoldi

O  historiador Luiz Galdino, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, escreveu  um livro com o título “Peabiru , os Incas no Brasil. Outros historiadores e pesquisadores, tanto brasileiros como de outros países, tem estudado o assunto e tem  concluído sobre a existência deste caminho que ligava o Pacífico ao Atlântico  e constituído por ramais secundários. Seria  que nem o sistema atual de rodovias onde existem as principais e as ligações secundárias.

No caso de Campo Erê a passagem deste caminho secundário foi confirmado pelo Barão de Capanema, engenheiro e Ministro das Obras Públicas do governo do  imperador Dom Pedro II  e que esteve na região no final do século XIX. A partir de sua viagem foi instalada a linha de telégrafo que ligava Palmas , Clevelândia, Campo Erê e Dionísio Cerqueira.

Barão de Capanema , em documento lido na sessão de 26 de abril de 1889 do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, afirmava sobre a existência de uma estrada admiravelmente traçada na região. Além de chegar ä Campo Erê e depois seguir em direção a Nonoai no Rio Grande do Sul, outro ramal seguia pelo divisor das águas da serra da Fartura em direção a Palmas,  Campos Novos, Curitibanos e dali em direção aos campos de Lages, e se presume  que seguia , via a serra do Corvo Branco (Urubiçi) até o litoral.

Afirmou que em Campo Erê, já conhecido na época, a estrada podia ser facilmente seguida, era bem conservada, principalmente na entrada dos muros, onde ela atravessava um banhado com um aterrado.

Segundo Barão de Capanema o que encontrou de mais notável  foram os “muros”, um acampamento entrincheirado, em um ponto estratégico  admiravelmente escolhido. Era uma construção colocada no ponto mais exposto ä agressão, construído em forma de cone truncado. A parte superior era composta de uma plataforma horizontal com 36 metros de diâmetro. O talude apresenta aproximadamente três metros de altura, situado no cimo de uma colina, que descamba para todos os lados, cercada por uma espécie de trincheira circular com 340 metros de diâmetro. Capanema afirma que através dos “muros” era possível  se comunicar através de sinais com locais mais distantes.

Caçadores de tesouros escavaram o local a procura de ouro, alterando o desenho original da construção. Os “muros” atualmente se encontram abandonados no meio de lavouras  e  semi –destruídos, embora sejam tombados como patrimônio histórico. O acesso que era feito por uma antiga rodovia estadual foi fechado com cerca de arame farpado, tornando-se difícil o acesso.  É uma referência turística e histórica do município.

 Nas escavações foram encontradas , numa profundidade de  dez metros, cinzas com fragmentos de taquara.

No interior da taipa , devia haver armazéns e ranchos de palha que foram queimados, assim como a estacada interior, provocando o desmoronamento de terra, exigindo uma rampa para acesso.

Segundo ainda Capanema, ao oeste da fortificação haviam os roçados antigos (Linha Faxinal), que originaram Campo Erê, e que se estendiam até o Rio Capetinga  ( Linha Capetinga). Havia outra fortificação na região, construída nos mesmos moldes, porém de dimensões  menores e não visitado pelo engenheiro pela negativa dos índios de servirem como guia. Construções iguais haviam no Paraguai e nas proximidades de Cusco, Peru, capital do Império Inca.

Segundo Luiz Galdino, estas construções deveriam constituir postos de abrigo e defesa, ou ainda estações de descanso e abastecimento,  a exemplo do sistema incaico  de vias e estradas.

Os bandeirantes e outros aventureiros já conheciam e trilhavam estes caminhos desde o século XVI. Em 1526,antes da ocupação espanhola, Aleixo Garcia, seguindo o caminho do Peabiru , chegou até o Peru, tomando conhecimento da riqueza do Império Inca.

Ao encerrar a sua fala  no Instituto Barão de Capanema questionou o destino dos documentos antigos da região pelo Governo de São Paulo que desviou a sua atenção para Minas Gerais, já que o território fazia parte da Província. Em 1.759 demarcadores espanhóis e portugueses estiveram na região para demarcar as fronteiras e a exploração acompanhou  a estrada misteriosa do Peabiru, esquecida pelos paulistas e conhecida pelos espanhóis.

Próximo a Campo Mourão no Paraná há uma cidade chamada de Peabiru, que servia de entroncamento da via, e foi reconstruída a Trilha do Peabiru, com a realização de comemorações anuais. Também foram criadas trilhas e eventos no vale do Rio Itapocu  em Santa Catarina (Jaraguá do Sul e São Bento) e no litoral paulista, na região de Cananéia e São Vicente.

CAMINHO DO PEABIRU

Os peabiru (na língua tupi, "pe" – caminho; "abiru" - gramado amassado) são antigos caminhos, utilizados pelos indígenas sul-americanos desde muito antes do descobrimento pelos europeus, ligando o litoral ao interior do continente. A designação Caminho do Peabiru foi empregada pela primeira vez pelo jesuíta Pedro Lozano em sua obra "História da Conquista do Paraguai, Rio da Prata e Tucumán", no início do século XVIII.

O principal destes caminhos, denominado como Caminho do Peabiru, constituía-se em uma via que ligava os Andes ao Oceano Atlântico, mais precisamente Cusco, no Peru, ao litoral na altura da Capitania de São Vicente (atual estado de São Paulo), estendendo-se por cerca de três mil quilômetros, atravessando os territórios dos atuais Peru, BolíviaParaguai e Brasil.

A estrada era, de aproximadamente 1,4 metros de largura, ela bifurca-se na zona de São Vicente (Estado de São Paulo) e na costa de Santa Catarina. Os dois trechos unem-se no atual estado do Paraná, para continuar logo até a atual fronteira com Bolívia, na cidade de Corumbá. Depois de ter atravessado as pradarias do Chaco, o caminho dirige-se a Potosí. Na realidade a estrada continua dividindo-se em dois trechos: Um dirige-se a Oruro, Tiahuanaco e Cusco, e outro que se dirige ao Oceano Pacífico no atual Chile setentrional.

Em tempos históricos, o Português Aleixo Garcia (1524 d.C.), percorreu o caminho de Peabirú e chegou ao Alto Peru (atual Bolívia), nove anos antes de que Pizarro chegara a Cusco. A existência do antigo caminho de Peabirú é importantíssimo, porque demonstra que era possível chegar, na antiguidade, ao Cerro Rico de Potosí (montanha rica em prata) desde as costas de Santa Catarina o São Vicente (Brasil), numa viagem de aproximadamente 2 meses.

Em pratica, o caminho de Peabirú se conectava com o caminho do Império Inca, que por sua vez uniam Samaipata, a fortaleza Inca mais austral (atual Bolívia), com Cusco.

Quem foram os construtores do caminho de Peabirú?

Na opinião da investigadora Rosana Bond, autora do livro "O caminho de Peabirú", poderiam ter sido tanto os Guaranis como os Incas, mas não exclui que o caminho tenha sido aberto em épocas muito mais antigas.

Ainda existem os membro da etnia guarani que atribuem a construção do caminho ao seu lendário semi-deus Sumé, quem ensinou aos Guaranis a agricultura, o artesanato e lhes impôs os fundamentos sociais, que são estranhamente parecidos aos de Viracocha, personagem lendária no mundo andino.

O Professor Reinhard Maack (1892–1969), naturalista inglês e explorador do território paranaense, elaborou um mapa em 1952, mostrando o Caminho do Peabiru. O mapa foi confeccionado com base nos manuscritos de um alemão, Ulrich Schimidel. A área abrangida no mapa representa o território paranaense, parte de São Paulo, Santa Catarina, Paraguai, Argentina e Bolívia, não apresentando limites políticos pré-estabelecidos e projeção cartográfica. Schmidel possui grande relevância nos estudos relacionados com o Caminho de Peabiru.

 O Caminho hoje está em sua maior parte descaracterizada pela atividade agrícola, como declara o Professor Igor Chmyz da Universidade Federal do Paraná (2007). Com a colonização , já no decorrer do século XX, houve um intenso processo de desmatamento, exploração da madeira, da terra e de outros recursos naturais. Além disso, a construção de estradas, rodovias, cidades, entre outras coisas, acabaram colaborando para a desfiguração do caminho de Peabiru.

Um  dos ramais que passava por Campo Erê a partir do ramal principal, segundo Maack,,passava por Jesuítas, Assis Chateaubriand, Tupãssi, Toledo, Ouro Verde, São Pedro do Iguaçu, Vera Cruz do Oeste, Diamante do Oeste, Ramilândia, Matelândia, Medianeira, Jardinópolis, Capanema, Planalto, Pérola do Oeste, Pranchita, Santo Antônio do Sudoeste, Bom Jesus do Sul, Barracão e Flor da Serra do Sul, de onde segue sentido  Campo Erê, Santa Catarina. Outra rota, segundo Galdino, saia de Campina da Lagoa, Paraná, no sentido de Campo Erê. O fato é que os caminhos convergiam para Campo Erê.


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