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ACHILES SAPORITI, O PRIMEIRO PADRE.

Publicado em 14/10/2013 às 09:46 - Atualizado em 25/06/2016 às 19:40

Vicenzo, irmão de Achilles com sua esposa Aurora Baixar Imagem

O padre Achilles nasceu na Itália , província de Torino e veio ao Brasil em 1877, indo para Palmas, onde em 1878 assumiu a paróquia ficando responsável até 1903. Junto veio o seu irmão Ângelo e em 1891 chegou o outro seu irmão VicenzoSaporitiVacca, sendo que todos os irmãos passaram a ter o sobrenome Sapotiti, por Vacca ter sentido pejorativo no Brasil.

Padre Achilles, mesmo antes de passar a paróquia a outro padre em 1903, por abandono , já morava na Fazenda São Vicente em Campo Erê, onde era proprietário. Aqui criava gado, explorava madeira e erva mate. A erva mate era comercializada com a Argentina, onde seguia em mulas até o Rio Paraná e de lá para Buenos Aires e outras cidades .Em 1904 foi morto a machadadas por bandidos, pois havia se espalhado o boato, que após vender uma tropa de gado em Passo Fundo, Rio Grande do Sul, teria muito dinheiro. Após a sua morte a família retornou para Palmas e seu irmão Ângelo ficou encarregado de administrar os bens e a Fazenda de Achilles. Mais tarde Ângelo ajudou financeiramente o irmão Vicente se tornando um grande empresário de Palmas. O padre AchillesSaporiti está enterrado no antigo cemitério da Fazenda Caldatto em Campo Erê. Embora esquecido, possui uma rua da cidade com seu nome, e na cidade de Palmas , a rua principal se chama Padre AchillesSaporiti. Na Linha Agroisa, a família Vilhalta, possivelmente de origem italiana Villalta, se instalaram onde hoje é propriedade de Valmor Giacomin, tinham comércio, e vieram para Campo Erê com a família Saporiti, segundo relato de familiares. A seguirtrechos da dissertação apresentada por Eucléia Gonçalves Santos, em 2005, na Universidade Federal do Paraná, para obtenção do grau de Mestre em História. A pesquisa traz importantes referências do Padre Achilles Saporiti que foi vigário de Palmas e Campo Erê entre 1788 a 1903 e que tinha aqui a sua residência, família e fazenda.

“O povoamento dos Campos de Palmas, paróquia na qual centrou-se esta pesquisa, foi o local que primeiro constituiu uma Freguesia da parte paranaense do espaço missionário, iniciada no século XVIII pela atividade de duas bandeiras saídas de Guarapuava. Aconstituição da freguesia chamou a atenção de várias pessoas em virtude da boa situaçãogeográfica dos campos, que era propícia à prática da pecuária. Muitas migraram com oobjetivo de ocupar essas terras e dar início a uma economia baseada nas grandes fazendas decriação de gado. Desde sua “descoberta”, os Campos de Palmas tornaram-se um importante espaço para o governo Imperial. Nos relatórios de Província do Paraná, observou-se a constante citação desta região. Isso se deve primeiramente, porque os campos de Palmas representavam umaregião estratégica para a demarcação das fronteiras da Província e posteriormente do Estado. Havia também a disputa entre o Brasil ea Argentina por parte do território, denominada de “Questão de Palmas” , mais tarde arbitrada em favor do Brasil. No entanto, devido à indefinição de limites, o governo estadual não investiu na colonização.Assim sendo, mesmo enfatizando a importância da área, os relatórios elaborados pelo governode província do Paraná apresentaram uma vaga ideia das obras que estavam sendo realizadasno local e algumas preocupações com os índios kaingangues. Relatou-se também a abertura de novas estradas com o objetivo dedar acesso a esta parte do vasto sertão brasileiro. Antes da criação da Diocese de Curitiba, o Paraná era atendido pela Diocese de São Paulo e foi somente após a criação da Diocese de Curitiba, em 1892, que o Bispo DomJosé de Camargo Barros, solicitou o trabalho evangelizador dos missionários franciscanos paraa Freguesia de Palmas.

Portanto, no que se refere a religião, desde sua “descoberta” pelos bandeirantes, a paróquia de Palmas fazia parte da Diocese de São Paulo, e os serviços mais urgentes eramexecutados pelos padres seculares.

As visitas realizadas pelo Bispo eram escassas ou praticamente impossíveis em virtude de sua Diocese atender todo o território de São Paulo e Paraná. Para dar conta do seu trabalhopastoral, ele percorria as diversas e dispersas capelas. Em suas visitas, recebia do pároco umbreve relatório das atividades realizadas durante aquele ano, batizava, crismava as poucaspessoas que, muito mais por curiosidade do que pelo reconhecimento da figura representativado bispo, recorriam aos serviços católicos. O bispo ficava nas paróquias um ou dois dias eseguia seu árduo e cansativo de precários acessos até os locais que tinha por obrigação visitar. A criação da Diocese de Curitiba, facilitou, em larga medida, o trabalho dos bispos responsáveis pela Província do Paraná, já que a extensão do território ficava agora dividida.Assim, a partir daquela data, a paróquia de Palmas passou a fazer parte da nova Diocese. No dia 21 de abril de 1903, o Bispo da Diocese de Curitiba, Dom José de Camargo Barros, acompanhado de um missionário franciscano, cujos trabalhos estavam sendo executados nos sertões catarinenses, fez uma visita pastoral de rotina e encontrou a paróquiade Palmas abandonada. O padre Aquiles, pároco responsável pela capela, estava muito atarefado com seus outros ompromissos e, como as missas nunca eram assistidas por mais detrês pessoas, decidiu deixar o cargo de padre para comercializar gado. Esse fato, longe decausar surpresa, já estava consumado há muito tempo, somente não havia sido oficializado. Diante disso, Dom José solicitou a ajuda da Província Franciscana para que esta assumisse aParóquia e se encarregasse da evangelização do povo aquele vasto sertão. As pessoas que viviam nas fazendas ou em distantes “taperas”, em meio ao campo ou dentro de uma vasta mata, desconheciam a existência do padre, e mais ainda do bispo . Era estranho, para os moradores, ouvir falar de uma casa chamada “Casa de Deus”, onde Eleouviria as preces, as orações, as cantorias e que, por meio de um representante seu, administrasse os sacramentos com objetivo de salvar almas. Entretanto, essas pessoas sabia mexplicar muito bem a existência de um Deus e de vários santos; conheciam muitas rezas epráticas devocionais a esse Deus ou a esses Santos. Esse conhecimento popular  possivelmente não tenha sido resultado dos ensinamentos de um sacerdote.

Há que ser destacado, ainda, um outro ponto fundamental para diferenciar a  realidade vivida por Padre Aquiles a dos freis franciscanos. Padre Aquiles era um padre secular, ou seja,estava subordinado apenas à diocese, ou à Igreja, enquanto que os freis franciscanospertenciam a uma Ordem religiosa pautada numa “consciência institucional”. No clero secularesta consciência havia se perdido devido ao isolamento no sertão e a conseqüente perda decontato com as autoridades eclesiásticas superiores. Foi para recuperar esta consciência, que areforma católica atuou no sentido de devolver ao clero o “espírito institucional”. O caráterindependente e itinerante das visitas,deveria ser substituído pela fixação de um padre nas residências paroquiais.

Segundo Carlos Rodrigues BRANDÃO, “a presença constante dopadre fazia o que a desobri ga5 não conseguia, isto é, atualizar constantemente a presença dahierarquia católica, baseada na sociedade de ordens”.

A fixação do padre numa residência, a insistência com que ele observava a ritualidade da Igreja Católica, as práticas instituídas e, ainda, a sua convivência em meio as estruturassociais e culturais do mundo sertanejo, alteravam as relações no campo religioso. Asprestações esporádicas de serviços religiosos aos camponeses passavam para relações contínuas de dependências e oferta constante de bens de salvação.

Essa nova dinâmica de campo religioso construía-se numa constante tensão com as representações religiosas do espaço missionário. Por este motivo, os freis alemães estranharamo comportamento de padre Aquiles, pois segundo eles, ao desafio do sertão se juntava à“péssima situação moral” deixada pelo antigo vigário, que teria provocado uma ruína nocomportamento da população, principalmente nos fazendeiros palmenses. Era corrente a idéia entre esta população que “padre algum poderia viver sem mulher”.

Destarte, havia uma relação de dependência entre o padre e o povo, pois enquanto opovo legitimava a condição do concubinato do padre, este também, não coibia as práticasreligiosas realizadas por eles. A condição do padre amasiado, despreocupado com amoralização, com a sacramentalização, legitimava as manifestações da religiosidade doshabitantes do sertão intimamente ligada as festas e aos bailes, nos quais o próprio padreparticipava constituindo, assim, um espaço onde o sagrado e o profano coabitavam.

Segundo os missionários, o padre Aquiles Saporiti tinha o costume de, aos domingos, dirigir-se à capela com o cálice, a hóstia e o vinho na mão. Quando encontrava um mínimo decinco pessoas celebrava a missa, senão voltava para casa. Os freis relataram os mínimosdetalhes da atuação de padre Aquiles, no sentido de contrapor-se à esta prática, de mostrarque, a partir de sua chegada, a expressão do sagrado na região tomaria outro rumo. Destaforma, afirmariam a condição deles como legítima e justificariam toda a série de novasrelações que iriam se estabelecer a partir do substrato que encontraram, em contraponto àsrepresentações de mundo que possuíam.

5O termo “desobriga” era utilizado pelos sacerdotes durante o período do padroado. Era obrigação do padre visitar as capelas e realizar os sacramentos. No instante que ele cumpria esse dever, estava “desobrigado”sem a necessidade de permanecer por mais tempo na capela.

6BRANDAO, Carlos Rodrigues. Memória do sagrado. Estudos de religião e rito. São Paulo: Paulinas, 1985. p. 36.Quando, em 1903, os missionários franciscanos assumiram a paróquia de Palmas, as atuais divisasentre o estado do Paraná e Santa Catarina ainda não estavam definidas, por este motivo, a paróquia de Chapecó,atual oeste catarinense, fazia parte da Paróquia da Freguesia de Palmas. Da mesma forma, as Dioceses do Brasilestavam em processo de criação. Somente em 1958, Chapecó foi “desmembrada” do domínio religioso de Palmas, constituindo umaDiocese própria. Primeiramente, os Campos se apresentaram comoParóquia. Pertenciam à Diocese de São Paulo e eram administrados por um padre designadopelo bispo diocesano. Em 1883, padre Aquiles escreveu no Termo da Benção da Igreja Matrizde Palmas.Termo da Bênção da Igreja Matriz de Palmas em 06 de maio de 1883.

Termo da Benção da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Campo de Palmas da Província do Paraná. 
Aos seis dias do mês de maio do ano do Nascimento do Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e oitenta e três, nesta Vila de Palmas Comarca de Guarapuava da Província do Paraná e Bispado de São Paulo, sendo presente eu, Padre AchillesSapority, Vigário encomendado da paróquia, autorizado por despacho de dez de março do corrente ano do Exmo. e Revmo. Dr. Lino Deodato Rodrigues de Carvalho e de trinta do mesmo mês e ano, do muito Revdo. Sr Padre Julio Ribeiro dos Campos, Vigário Geral Floranse nesta Província, perante a Câmara Municipal desta Vila, composta dos cidadãos Capitão Firmino Teixeira Baptista, Presidente, e dos Vereadores Capitão Napoleão Marcondes de França, Domingos Ferreira Maciel Sobrinho; Manoel Luiz de Souza, João Caetano da Silva e, do Juiz Municipal 1º suplente em jurisdição pleno, no Termo, Major Arlindo Silveira Miró e mais pessoas, benzi com as formalidades prescritas no Ritual Romano a supra dita Igreja Matriz, que tem por oráculo o Senhor Bom Jesus da Coluna; o que para constar a todo o tempo lavrei o presente termo que subscrevo e assino com as pessoas acima declaradas. 
Eu Padre AchillesSapority, Vigário Encomendado da paróquia, Firmino Teixeira Baptista, Presidente da Câmara, Napoleão Marcondes de França, João Caetano da Silva, Domingos Ferreira Maciel Sobrinho, Manoel Luiz da Silva, digo, Manoel Luiz de Souza e Arlindo Silveira Miró. Confere. Vila de Palmas 10 de maio de 1883. 

Em virtude da distância que separava a Paróquia de Palmas da Diocese de São Paulo, era quase impossível para o bispo realizar as visitas pastorais. Assim, o local ficava nas mãosde um pároco, por ele designado, o qual deveria construir uma capela de acordo com ascondições do local.

Todos os membros das duas bandeiras que “descobriram” os Campos de Palmas tomaram posse de determinadas extensões de terra designadas pelo líder (Pedro Siqueira Côrtes de um lado e Joaquim Ferreira dos Santos, de outro) e iniciaram o processo de colonização do local. A estrutura que se formou foi a de grandes fazendas. Devido a geografiados campos, os novos proprietários dedicaram-se a criação do gado, que traziam de Guarapuava.

A localidade, em 1859 era, portanto, um espaço em construção: no centro dela estava construída uma pequena igreja de madeira, coberta de telhas e de chão de barro. Nela rezava-seas missas, realizava-se os batizados, as confissões e os casamentos. Desde a chegada dospovoadores da cidade, na capela haviam estado vários capelães seculares, que além de padreseram também criadores de gado. Consta no relatório a presença de uma capela, dirigida porum capelão, o qual deveria velar pelas almas da paróquia, ensinando aos habitantes tudo o quea Igreja Católica prescrevia como sendo as práticas fundamentais de um católico. O primeiro padre que os Campos de Palmas recebeu foi aquele que acompanhou a bandeira de Ferreirados Santos, o padre Ponciano José de Araújo (1840) sendo substituído, dois anos depois, porpadre Manoel Chagas (1842), depois pelo padre Joaquim Gonçalves Pacheco (1852), padreFrancisco Chavier Pimenta (1854), padre DionisioCarraro (1870), padre José Bilbao ( 1878) epadre AquillesSaporiti (1903).

Vista parcial da Praça Marechal Bormann da Vila do Senhor Bom Jesus da Coluna dos Campos de Palmas em 1910. Arquivo da Cúria Diocesana de Palmas e Francisco Beltrão. Concomitantemente ao que acontecia em boa parte das paróquias brasileiras, nos Campos de Palmas, os sacerdotes seculares, que “dirigiram” a paróquia antes da chegada dosmissionários franciscanos, possuíam pouca instrução religiosa e desempenhavam outrasfunções na sociedade, além de padres.Dentre os líderes religiosos, o único sobre o qual foipossível obter alguns dados referentes a aspectos biográficos foi o Padre Aquiles Saporiti, sobretudo porque era este padre que estava à frente da paróquia quando os freis franciscanos chegaram, e eles se encarregaram de fazer um relatório sobre a vida dele, bem como sobre arealidade religiosa e pastoral da paróquia. Padre Aquiles Saporiti era italiano e ocupou o cargo de vigário durante 25 anos. Durante todo esse tempo percorreu a região visitando capelas e pousos duas vezes por ano,como atesta Manoel Fidêncio Amaral, coroinha que acompanhou o Padre Aquilles durantemuito tempo nas suas andanças pelo sertão.Um fator que colocou em relevância ostrabalhos missionários do padre Aquiles, registrado pelos franciscanos, foram as atitudes doreferido padre diante da seriedade dos trabalhos religiosos e de sua vida particular. Acusaram-no de possuir mulher, cinco filhos e algumas fazendas no Campo–Erêe de eximir-se daspráticas evangélicas, coordenando a paróquia e as práticas sagradas da Igreja Católica com umcerto desleixo. Envelhecido e solitário, ele foi lentamente abandonando a paróquia e ficandomais ligado às suas fazendas, de onde fazia os giros pelas capelas. Foi acusado pelo Bispo doParaná de ter abandonado a atividade sacerdotal em documento de 21/04/1903. Assim sendo, Dom José de Camargo Barros declarou vago o cargo de vigário de Palmas pela retirada de seu último titular, nomeando Frei Redempto Kullmann, OFM. Em seguida chegaram à paróquia, para auxiliá-lo, os confrades Frei Solano Schmit e Frei Policarpo Schuhem.

O real motivo da vinda dos franciscanos foi que o padre Aquiles Saporiti, um sacerdote que viera da Itália e fora vigário de Palmas de 1878-1903, depois de dar continuado escândalo por viver com mulher e ter 5 filhos e se considerar um homem de negócios- comerciando com madeira e erva matedo que sacerdote, renunciou ao cargo de vigário em 1903 a pedido do bispo de Curitiba, Dom José de Camargo Barros. Essa descrição dos motivos da vinda dos freis franciscanos para o Espaço de Missão foi explicada pelos próprios freis franciscanos. Os julgamentos em relação a atividade

missionária do padre Aquiles refletem visões de mundo lançadas a partir de uma estrutura decatolicismo que os freis conheciam e tinham acesso. Para a realidade do sertão, padre Aquilesestava sozinho no vasto interior e tinha que percorrê-lo em toda a sua extensão. O contato como bispo em Curitiba, era quase nulo. Os poucos “fiéis” da Paróquia pouco conhecimentotinham sobre a estrutura interna da Igreja Católica. Assim sendo, não restava grande consolo aeste sacerdote além daquele oferecido pelo mundo leigo: casar era uma maneira de conseguir enfrentar as agruras que a distância e a solidão provocavam1.

O único registro escrito por padre Aquiles, que poderia ter utilizado para “defender-se” diante das acusações registradas pela possível retratação. Estas foram as palavras de padre Aquiles: “Terem indulgencia queira aos erros, queiraas faltas que encontrarem na escrituração que executei destes livros, devidas a alguma de minha insuficiência e,ás vezes, negligencias”. (Livro de Tombo II 1887-1917, p 21). Padre Aquiles representava a própria face da religiosidade católica brasileira do período. Na profunda intimidade que possuía com o seu meio, com a realidade que presenciava e da qual era fruto e devido a falta de amparo eclesial, esse padre, assim comomuitos outros em situação semelhante, transformou-se num homem comum, compreendido apenas por aqueles com quem se identificava. Esta realidade era tão profunda que nela a“ordem religiosa e ordem temporal coincidiam” ou então, a “religião e sociedade seidentificavam”. A configuração religiosa do Brasil possibilitava o desenvolvimento de uma forma própria de manifestação da religiosidade, onde a figura do especialista tornava-se dispensávele as relações de fé estabeleciam-se entre os próprios fiéis e suas visões de mundo.

O acesso ao interior do Brasil, neste período, era bastante precário, o que proporcionava um desligamento com os membros do clero.

Pelo que foi exposto, em relação a situação do catolicismo e pelo difícil acesso à região, os Campos de Palmas foram considerados pela Ordem Franciscana como um Espaçode Missão. Por mais que os moradores de Palmas tentassem, na medida do possível, construiras estruturas que tirassem a cidade do ostracismo, as representações sociais, urbanas ereligiosas dos freis franciscanos lançava a Vila nessa posição. De acordo com essa categoria,aos preceitos católicos, mas é muito religioso.” Durante o longo período em que o padre Aquiles esteve a frente da paróquia Bom  Jesus da Coluna dos Campos de Palmas, em nenhum local do Livro de Tombo (único documento referente a este período), foi registrado como era a paróquia, quem eram seushabitantes, como eram ministrados os santos sacramentos. Após o período em que o livropassou a ser registrado pelos franciscanos, na primeira página, depois de relatar o processo deposse da paróquia, Frei Redempto passou a descrever detalhadamente, todas as atividades missionárias que não ficavam restritas a sede da paróquia, mas adentravam o sertão.

Durante o período anterior, a capela de Palmas, era atendida apenas por Padre Sapority e pelasvisitas esporádicas do bispo diocesano. A escassez de sacerdotes tornava impossívelvisitar e assistir a todos os habitantes da região. Eram nas visitas esporádicas dos antigos sacerdotes que se dava a presença católica na localidade.

Assim, quando Dom José, no dia24/04/1903, expediu uma portaria nomeando o Frei Redempto Kullmann OFM, como vigário encomendado da paroquia de Palmas.

. “No dia 26/04/1903 chegou nesta paróchia o Rev. Frei PolycarpoSchulem, OFM, junto com o Rev. Frei MenandroKamps OFM, para administrar a parochia por ordem do Rev.Bispo Diocesano Dom José de Camargo Barros.”Neste sentido, a figura do padre nãoestaria mais tão distante, como nos tempos anteriores.

No livro de Tombo os franciscanos registraramo fato da seguinte maneira” Äos  10/05/1903, após a missa parochial cellebrada pelo ex-vigário, Padre AchillesSapority, tomou posse o Frei Redempto Kullmann OFM como pároco de Palmas. Igreja Matriz da Freguesia do Senhor Bom Jesus da Coluna dos Campos de Palmas ( 1880-1917)

arquivo da Cúria Diocesana de Palmas e Francisco Beltrão.A igreja foi construída pelo padre Achilles Saporiti.

A construção da atual matriz teve início em 1912, quando pouco antes de eclodir a guerra do Contestado chegou a Palmas Frei Jacób Höffer, construtor de igrejas.

No sétimo centenário da morte de Santo Antônio, Chapecó foi agraciada com o título de Paróquia deSanto Antônio do Chapecó. Desde esta data de 1931, Chapecó tinha certas regalias, mas o vigário continuava morando em Palmas e sendo o mesmo de Palmas. Faltavam os pastores. Faltavam osrecursos. Outras paróquias foram criadas nas mesmas circunstâncias: Itapiranga, São Carlos, Luzerna,Joaçaba, Concórdia, Ponte Serrada. Em 1939 foi criada também a paróquia de Clevelândia, sob adireção do vigário de Palmas.

Campo Erê até 1931 era atendido por padres de Palmas e só mais tarde por Chapecó. Em 1958 foi criada a Diocese de Chapecó e Campo Erê foi elevada a Paróquia. A pesquisa mostra que o padre Achiles , embora todas as dificuldades, procurou desempenhar as suas funções religiosas e para sobreviver organizou a sua família e a sua fonte de renda, conforme costumes da época. Praticamente vivia sem qualquer apoio religioso de seus superiores , esquecido no meio das enormes extensões dos campos da região e a pouca população dispensa pelas matas.

O texto mostra um pouco da história religiosa dessa época onde Campo Erê faz parte, onde o padre tinha a sua família, a sua propriedade e de onde partia para as suas atividades religiosas. Embora não de fato, pode-se afirmar que emparte de sua vida de vigário, a sede da paróquia de Palmas era em Campo Erê, embora não se tenha construído nenhuma igreja que se tenha como referência. Apesar de tudo o padre Achiles Saporititem sido esquecido pelos campoerenses num cemitério abandonado no meio das lavouras de soja e milho na Fazenda Caldatto. Seria importante resgatarparte desta história  que é de todos os sudoestinos do Paraná, do Oeste catarinense e principalmente de Campo Erê.

 


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