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MONGE JOÃO MARIA EM CAMPO ERÊ.

Publicado em 23/09/2013 às 07:42 - Atualizado em 25/06/2016 às 19:36

João Maria Baixar Imagem

A dificuldade do povo leva-os em busca do sobrenatural. O planalto catarinense vivia uma crise profunda no final do século XIX, os pobres eram acometidos por pestes, fome e desesperança. Neste contexto aparecem os três monges: João Maria, João Maria de Jesus e José Maria de Jesus.

Sendo parecidos entre si, pregavam contra a república, catástrofes que assolariam o povo e o fim do mundo, davam remédios à base de ervas, benziam, batizavam e faziam todos os tipos de milagres ao povo miserável do planalto. O segundo monge João Maria de Jesus percorreu o planalto e rumou para o oeste de Santa Catarina, sempre fazendo milagres e aumentando sua fama sendo considerado Santo por seus devotos.

Acredita-se que ele tenha atravessado a fronteira e entrado na Argentina e se dirigido ao Paraguai. O mito do Santo fica impregnado na memória do povo, principalmente porque algumas de suas predições se cumpriram, refiro-me a Guerra do Contestado.

Em 1911, aparece outro monge dizendo chamar-se José Maria de Jesus e que era primo de João Maria de Jesus. Mas, na verdade se chamava Miguel Lucena de Boaventura. Alguns historiadores afirmam que  o terceiro monge era na verdade um desertor da polícia do Paraná. Esse é o monge que foi um dos protagonistas da terrível Guerra do Contestado (1912-1916), José Maria conseguiu arregimentar grande quantidade de caboclos, em sua maioria prejudicados pela atuação de empresas do grupo do empresário Percival Farquar que construiu a estrada de ferro Rio Grande – São Paulo.O monge João Maria ruma para o sudoeste do Paraná, agora com o status de Santo, chega a Palmas, Clevelêndia, o ano era 1904 e sua caminhada rumava para a Argentina. São João Maria andava devagar, sempre trabalhando com seu público composto por miseráveis que em sua maioria eram explorados ,abandonados, enfermos que não tinham nenhum recurso. Os milagres do Santo aconteciam diariamente, por onde ele passava ficava sua fama de “santo “andarilho. Do sudoeste do Paraná o monge entrou no oeste de Santa Catarina,percorrendo uma das peabirú (estrada dos índios) que levaria para San Pedro  na Argentina.

Aproximadamente nos anos de 2012  a 2013 João Maria chega Campo Erê,na Linha Faxinal, onde segundo a lenda dormiu numa gruta e no dia seguinte surgiu uma mina de água que fazia milagres aos que bebessem daquela água. Em Campo Êre João Maria teria ficado aproximadamente durante seis meses percorrendo aquela terra e ajudando o povo que em sua maioria eram tarefeiros  (trabalhadores da erva-mate), principal atividade daquela época na região. Os milagres que João Maria fez através de rezas, benzimentos e remédios de ervas ficaram muito conhecidos naquele lugar.

De Campo Êre, João Maria rumou para Dionísio Cerqueira, povoado fundado em 1903 em homenagem a Dionísio Evangelista de Castro Cerqueira chefe da expedição de demarcação da fronteira entre Brasil e Argentina. O monge sempre se deslocava a pé, onde ele dormia seus devotos fincavam uma cruz em devoção a ele, suas rezas eram muito popular entre os caboclos,esses carregavam orações escrita que supostamente os protegeria, como uma encontrada num amuleto que pendia do peito de um caboclo:

- “Espada elética pertence a Antonio de Souza, nobre cavaleiro de São Sebastião em nome do Santo João Maria quem atira no meu corpo atira na

hóstia consagrada porque entre a pórvra (pólvora) e a espoleta Jesus Cristo fez morada”. Sachet. 2001.

Grande era a fé dos caboclos que já rezavam em nome do Santo João Maria, que era praticamente adorado. Tornou-se um ídolo para seus devotos, esses misturavam a crença católica com o misticismo caboclo de devoção a santos que a Igreja não reconhecia. Ao chegar na região da fronteira João Maria dirigiu-se para uma comunidade que hoje se chama Separação. Em Dionísio Cerqueira João Maria permaneceu cerca de nove meses onde percorreu todas as comunidades. Segundo a lenda o monge teve uma visão e  disse: vejo um grande dragão, que se estende sobre essa região, a cabeça está  em San Pedro, o corpo sobre a região de Dionísio Cerqueira e a cauda em Clevelândia, toda a região onde se encontra o dragão não vai se desenvolver durante cem anos. Se for lenda ou não, o caso é que de San Pedro passando por Dionísio até Clevelândia em quase cem anos pouco desenvolvimento houve, sendo uma das regiões mais pobres do oeste catarinense, sudoeste do Paraná e leste da província de Misiones, Argentina.

Após permanecer algum tempo na fronteira João Maria rumou para San Pedro, Argentina, onde foi visto pela última vez, sua meta era chegar ao Paraguai. Depoimentos de dois Pioneiros da Fronteira sobre o Monge.

“Óia ele era meio a trote assim, e veio, já o carçado dele era uma paragata, tipo pargata. A ropa tinha, era ropa cumum assim, tinha barba e era morenasso. Óia quando ele teve em Faxinar, Campo Erê, ele dormiu num luga seco no  utro dia amanheceu um oio d’água, tudo o pessoar levava água pra remédio...” Segundo o entrevistado, ele teria conhecido pessoalmente o monge. O segundo entrevistado é o senhor Raul Silva Dico, de 90 anos de idade, residente em Bernardo de Irigoyen - Misiones - Argentina. Perguntado se havia

ouvido falar de João Maria respondeu:

Si yo sentí hablar de un monje, San Juan Maria se llamaba, a el yo tenía como um santo el vino hasta acá en Argentina y de aquí volvió, volvió al Brasil, tuvo hasta Campo Ere y hay un lugar donde, donde el durmió en Campo Ere que dice, decía la gente cierto, donde el durmió había un lugar que brotaba el agua, una vertiente,

 

João A. Mussini

Mestrando em Antropologia (UTIC)

Disciplina: Teorias de Antropologia

Professor: Jovam Vilela da Silva

Pesquisa: Nelson Tresoldi


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